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Risco de greve de professores repercute na Câmara Legislativa

As notícias publicadas pela imprensa nos últimos dias sobre a possível deflagração de uma greve dos professores da rede pública de ensino do DF a partir do dia 23, data prevista para o início do ano letivo, repercutiu na sessão ordinária da Câmara Legislativa desta quinta-feira (19). Vários deputados manifestaram apoio aos professores com salários atrasados e voltaram a debater a crise financeira do governo do DF.

O deputado Chico Vigilante (PT) disse que a responsabilidade pelo não pagamento dos professores é do atual governo. Segundo ele, o governo atual ainda não provou a existência de rombo financeiro nas contas públicas. Vigilante sustenta que o Sistema de Acompanhamento de Gestão Governamental (SIGGO) registra a existência de R$ 1,8 bilhão em caixa, sendo R$ 860 milhões livres para o pagamento de qualquer despesa. “Além desses recursos, existem outros R$ 200 milhões provenientes do Banco do Brasil, ou seja mais de R$ 1 bilhão de recursos desvinculados”, afirmou.

Para Vigilante, o GDF quer a greve dos professores e tenta atribuir ao PT suposta influência na paralisação. “Sindicato não tem partido”, completou o distrital, ressaltando greves longas da categoria também durante governos do PT.

O Prof. Reginaldo Veras (PDT) pediu sensibilidade ao governo para resolver o problema dos professores e relatou que a categoria voltou às escolas hoje em clima de grande frustação. Na opinião dele, o ano letivo poderá ser comprometido, caso uma solução não seja rapidamente apresentada. Veras chamou atenção também para a situação de cerca de 6 mil professores temporários que estão sem receber há dois meses e enfrentam dificuldades.

O deputado Chico Leite (PT) sugeriu a convocação do secretário de Fazenda do GDF, Leonardo Colombini, para prestar esclarecimentos sobre a discrepância dos dados disponíveis no SIGGO e os apresentados pelo governo sobre as contas públicas. Leite cobrou transparência da atual gestão, uma vez que o sistema de acompanhamento registra a existência de recursos.

O distrital também reclamou que a população tenha que pagar a conta, antes que o GDF corte seus gastos. Segundo ele, o governo reduziu alguns cargos comissionados, mas o gasto total aumentou em função dos reajustes de vencimentos desses cargos.

Outros deputados se revezaram na tribuna para pedir mais transparência nas contas públicas. “É preciso radicalizar na transparência, tornando os dados disponíveis no SIGGO mais palatáveis para a população”, defendeu o deputado Joe Valle (PDT), que chegou a sugerir ainda a instalação de painéis no Palácio do Buriti ou na Rodoviária do Plano Piloto mostrando a arrecadação do governo, a aplicação dos recursos e o montante gasto. Os deputados Ricardo Vale (PT) e Rodrigo Delmasso (PTN) também defenderam mais divulgação das contas e o líder do governo na Casa, Raimundo Ribeiro (PSDB), se comprometeu a solicitar ao GDF o envio de informações atualizadas sobre os recursos disponíveis em caixa.

Já o deputado Lira (PHS) lamentou o quadro de recessão vivenciado no DF e em todo o Brasil. O parlamentar sugeriu que seja dada prioridade à manutenção dos empregos dos trabalhadores, sobretudo os de menor renda. Lira sugeriu a criação de frentes de trabalho de emergência para absorver os desempregados.

Coordenadoria de Comunicação Social

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